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Agentes da Força Nacional enviados para buscas aos fugitivos de Mossoró ficarão alojados na Ufersa


Primeira fuga da história do sistema penitenciário federal ocorreu na quarta-feira (14) em Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte. De lá pra cá, o número de agentes das forças de segurança atuando nas buscas chegou a 500. Força Nacional ficará alojada em centro de exposições da Ufersa, em Mossoró
Eduardo Mendonça/Ufersa/Divulgação
Os 100 agentes da Força Nacional enviados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública ao Rio Grande do Norte para atuarem nas buscas pelos fugitivos da penitenciária federal de Mossoró ficarão alojados na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), segundo divulgou a reitoria da instituição.
O Centro de Exposições de Mossoró – Expocenter – ligado à universidade, servirá como ponto focal para os militares, após acordo de cooperação firmado entre a reitora Ludimilla Oliveira e o delegado da Polícia Federal Caio Bezerra.
Ao todo, 100 militares e cerca de 20 veículos vão ocupar o espaço localizado no Campus Leste da Ufersa em Mossoró.
Ainda de acordo com a reitoria, além do alojamento com rede Wi-Fi, a instituição ainda irá disponibilizar almoço e jantar no restaurante universitário.
“Os militares devem começar a ocupar o espaço do Expocenter a partir desta quarta-feira, 21”, informou a universidade.
Uma semana de buscas
Buscas pelos fugitivo em Mossoró
Reprodução/ g1
As buscas pelos criminosos que fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró completaram uma semana nesta quarta (21). A fuga de Rogério da Silva Mendonça, de 35 anos, e Deibson Cabral Nascimento, 33 anos, é a primeira registrada na história do sistema penitenciário federal, criado em 2006.
De lá pra cá, o número de agentes das forças de segurança atuando nas buscas chegou a 500. Também foram anunciadas várias medidas pelo governo federal, como o afastamento da direção do presídio (veja mais abaixo).
Os criminosos foram vistos pela última vez na sexta-feira (16) e chegaram a invadir duas casas. Os policiais já encontraram algumas pistas no raio de 15 quilômetros da penitenciária. Veja quem são os fugitivos.
Nesta quarta, a Força Nacional passou a atuar na força-tarefa das buscas, após autorização do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O pedido para o envio das equipes partiu do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues e a medida teve a concordância da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra.
Veja abaixo quatro medidas tomadas pelas autoridades após a fuga de Mossoró:
Reforço nas buscas
Ações no presídio e novos protocolos
Duas áreas de investigações
Pistas dos fugitivos
1. Reforço nas buscas
Forças de segurança do Rio Grande do Norte e equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram acionadas no dia da fuga para monitorar as rodovias em busca dos fugitivos.

A Polícia Militar do Ceará intensificou a segurança na região de divisa com o Rio Grande do Norte desde quinta-feira (15). Frentes de buscas foram concentradas na terça (20), na comunidade de Juremal, em Baraúna.

Um grupo da unidade de elite da Polícia Federal foi enviado para ajudar nas buscas na sexta-feira (16), a pedido do Ministério da Justiça.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou no domingo (18) que ao menos 500 agentes de segurança de diversas forças policiais atuavam na captura dos fugitivos.

Pelo menos 4 helicópteros são usados nas buscas. Drones (com equipamentos termais) e 7 cães farejadores também auxiliam nos trabalhos.

No sexto dia de buscas, o ministro da Justiça autorizou uso da Força Nacional. O comboio conta com 22 viaturas, um caminhão e 100 agentes.

Mata fechada, grutas, animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões, forte insolação, calor e a época de chuva na região são alguns dos empecilhos enfrentados pelos agentes envolvidos na ação de recaptura.
2. Ações no presídio e novos protocolos
O então diretor da Penitenciária Federal de Mossoró foi afastado e um interventor foi nomeado para comandar a unidade.

O ministro da Justiça determinou a revisão de todos os equipamentos e protocolos de segurança nas cinco penitenciárias federais do país.

O Ministério da Justiça suspendeu o banho de sol e as visitas sociais nas cinco penitenciárias federais do país.
3. Investigações
Polícia Federal: uma investigação da PF irá apurar eventuais responsabilidades de natureza criminal de pessoas que podem ter facilitado a fuga dos presos, que são ligados à facção criminosa Comando Vermelho.

Processo administrativo: a investigação para apurar as responsabilidades da fuga podem levar a um processo administrativo.

O titular da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia, foi até Mossoró para acompanhar o caso. Na terça, ele foi até a penitenciária para verificar as condições e conferir como estão sendo realizados os reforços na estrutura das luminárias das celas, as limpezas dos canteiros de obras e os reparos das câmeras com defeitos.

A corregedora do sistema prisional federal Marlene da Rosa segue conduzindo a investigação interna no presídio.

Perícias: são realizadas no presídio e nas buscas para identificar como presos conseguiram fugir.

Interpol: os nomes e as fotos dos fugitivos foram incluídos na lista de difusão vermelha (para criminosos procurados internacionalmente).
4. Pistas dos fugitivos
Casas invadidas e rastros: os fugitivos arrombaram uma casa localizada a 7 km do presídio e furtaram roupas e comida, no mesmo dia da fuga. A polícia foi acionada ao local e recolheu vestígios e possíveis pistas.

Durante as buscas, os policiais encontraram uma camiseta de uniforme de presidiário, na sexta-feira (16). Durante a noite, os fugitivos invadiram uma casa a aproximadamente 3 km do presídio, fizeram a família refém, jantaram, pediram para acessar redes sociais e roubaram celulares.

Último sinal dos celulares roubados: as investigações apontaram que o último sinal obtido dos celulares roubados pelos fugitivos foi no sábado (17), em uma área rural perto da divisa com o Ceará. A suspeita é de que os equipamentos tenham ficado sem bateria.
Fantástico entra nas celas de presídio de segurança máxima em Mossoró e mostra falhas de segurança que levaram à fuga de presos
Fuga da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte
Arte/ g1
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