No Chile, milhares de famílias se recusam a deixar áreas atingidas por incêndios por medo de não poderem retornar


Autoridades locais trabalham para descobrir como o fogo começou e identificar as vítimas. Até agora, o governo confirmou 131 mortes. Há mais de 300 desparecidos. No Chile, o governo anunciou que os focos de incêndios na região de Viña del Mar estão controlados. Os enviados especiais Bruno Tavares e Wellington Valsechi mostram que milhares de famílias estão se recusando a deixar áreas atingidas por medo de não conseguirem retornar.
Juan está há quatro dias debaixo de sol, acompanhando o trabalho de limpeza do terreno. A casa que tinha sido da mãe dele desapareceu em questão de minutos.
“O vento era muito forte, levou as chamas para todas as casas”, diz Juan.
Ao lado de Juan, Claudia olha, emocionada, para o que um dia foi a casa da família. Ela diz que agora é hora de trabalhar para retirar os escombros e reconstruir.
A região de El Santo, na periferia de Viña Del Mar, foi uma das mais atingidas pelo fogo dos últimos dias. A equipe do Jornal Nacional esteve no local, uma zona industrial, com fábricas, e mostrou um terreno onde haviam cerca de 500 casas, todas elas completamente destruídas pelo fogo.
Na área em que elas existiam, ainda há famílias vivendo de forma improvisada, acampadas em barracas, tentando se reerguer limpando seus terrenos, onde se vê ferro retorcido, pedaços de portão e de estrutura de sustentação das casas.
Terreno onde existiam cerca de 500 casas agora só tem barracas e destroços
JN
El Salto é um povoado erguido em uma parte mais alta de Viña del Mar. A polícia montou bloqueios nos acessos às áreas atingidas. Pela manhã, apenas moradores e equipes de resgate podiam passar. O objetivo é evitar saques e facilitar o trabalho dos bombeiros.
Autoridades locais trabalham para descobrir como o fogo começou e identificar as vítimas. Até agora, o governo confirmou 131 mortes. Há mais de 300 desparecidos.
Os desabrigados dependem cada vez mais de doações, e elas não param de chegar: roupas, alimentos e outros itens carregados por voluntários que organizam o que chega em tendas e distribuem para os desabrigados.
Chilena abriu as portas de casa para ajudar os vizinhos e receber doações
JN
Jéssica conta que escapou do fogo. Como agradecimento pela sorte que teve, decidiu abrir as portas de casa para ajudar os vizinhos.
Quase nada ficou de pé na Vila Independência, um bairro carente na periferia de Viña del Mar. Os moradores contaram que, nas áreas mais altas, a situação era ainda mais difícil. Lá em cima, a equipe do JN encontrou crianças e adultos em uma barraca com tudo improvisado; comida e fraldas, além de colchões e cobertores para enfrentar o frio que faz à noite.
Um rapaz revirava as cinzas em busca de pedaços de alumínio para vender. Outro, que estava vivendo em barraca, contou que se fosse para um abrigo corria o risco de perder o terreno.
O temor de serem removidos da área mantém muitas famílias em barracas improvisadas. O governo estima que 16 mil pessoas só na região de Viña del Mar perderam as casas nos incêndios.
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